quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

MORRE LÉO BRIGLIA

ÚLTIMA VISITA NA PONTA DA TULHA, JUCA LÉO E TASSO

Léo Briglia (Itabuna, 29 de agosto de 1928) é um ex-futebolista brasileiro. Destacou-se no Bahia na década de 1950, e foi o artilheiro da primeiro edição do Campeonato Brasileiro, em 1959. Nesta edição, marcou gols em todas as partidas e foi um dos principais responsáveis pela conquista histórica do Esquadrão de Aço, primeiro campeão brasileiro. O itabunense Léo Briglia, irreverente, boêmio e, acima de tudo, o craque que ganhou as páginas dos principais jornais e revistas do país, chegou a ser convocado para a Seleção. Mas problemas físicos o impediram e ele foi substituído pela maior estrela do futebol brasileiro, o rei Pelé.
Léo foi “descoberto” quando atuava pela (Fube) - Federação Universitária Baiana de Esportes numa preliminar de Bahia e América em Salvador. Suas jogadas despertaram a atenção do técnico Grita, um Uruguaio, que o convidou para jogar no Rio. Sabendo que o pai não concordaria, ele saiu de casa às escondidas. “Minha família soube pelos jornais e revistas, quando eu já estava jogando no América”, conta.
No Rio, os treinos eram realizados no campo do Vasco. Ao observar a atuação do jogador, o técnico do Vasco, Flávio Costa, o convidou para o clube, só que, àquela altura, ele já havia assinado contrato com o América. Mas havia um problema: o pai de Léo teria que assinar o contrato. Prevendo a resistência, foi enviado um diretor importante politicamente, o Ministro do Trabalho, que foi a Salvador, onde a família tinha residência para os filhos estudarem. Porém, o pai do jogador, o coronel de cacau Francisco Briglia, não levou o poder político em consideração. “Ele rasgou o contrato e xingou o ministro, dizendo, você é descarado igual a Léo”, conta o ex-jogador.
Mas “arranjaram um jeitinho” pra Léo continuar no Rio. O vice-presidente do América era juiz de Direito e assinou o contrato se responsabilizando pelo jogador, que permaneceu no clube durante três anos, de 1947 a 1949. Neste último ano, aconteceu algo inesperado: o América veio jogar em Ilhéus. Léo se hospedou, junto com a equipe, no Ilhéus Hotel e decidiu visitar os familiares em Itabuna. Quando chegou, recebeu voz de prisão do irmão, Eudes Briglia, que era delegado, ao tempo em que ouvia o vozeirão de Chico Briglia, aos berros: “Você não vai voltar mais, seu moleque vagabundo!”.
O jeito foi ficar por aqui, jogando nos times de Itabuna contra os de fora, a exemplo de Bahia, Botafogo e Ipiranga. “Nós papávamos todos eles”, diz orgulhoso. Quando o futebol itabunense entrou em declínio, em 1953, ele foi para o Colo-Colo de Ilhéus. O “Tigre” foi campeão em 1953 e 1954 e Leo o artilheiro absoluto. Depois do Colo Colo, conseguiu um emprego de auditor fiscal em Salvador, através do Governador Juracy Magalhães, seu padrinho. Lá, foi recusado pelo Vitóriae enfrentou resistências para ser contratado pelo Bahia, por causa da fama de boêmio.
Em 1958, Leo Briglia foi convocado para a Seleção Brasileira, pelo técnico Vicente Feola. Mas foi cortado dezoito horas antes do embarque para a Suécia, porque seu ex-treinador do Fluminense havia declarado a um importante jornal da época, que o joelho do atleta estava lesado e seus dentes tinham muita cáries. Por isso, ficou definitivamente fora da Seleção. Foi substituído por Dida, do Flamengo. Em relação às cáries, vale lembrar que todos os seus dentes foram extraídos e, dias depois, substituídos por uma dentadura.
Sobre o corte na Seleção, Léo fala conformado que futebol tem dessas coisas e afirma que neste incidente houve um aspecto positivo, que foi a oportunidade dada àquele que se tornou a maior estrela do futebol brasileiro. "Se eu fosse para a Suécia, o Pelé não iria brilhar porque não teria a oportunidade de jogar, pois a posição era minha e não lha daria esta chance. Mas era pra ser Pelé e assim foi", diz Léo Briglia.
Léo tentou jogar no Vitória, mas o dirigente rubro negro Ney Ferreira não aceitou, argumentando que ele estava velho, decadente e em fim de carreira. Com a negativa, o ex-jogador e técnico do Bahia, Geninho sugeriu sua contratação ao presidente do clube, Osório Vilas-Boas, que reagiu de forma semelhante, argumentando que “Léo bebe muito e é irresponsável”.
Geninho insistiu, assumindo um arriscado compromisso: “Contrate Léo que eu lhe dou a Taça Brasil de presente”.
Por ironia, foi no Bahia que viveu sua melhor fase como jogador de futebol. O clube foi para a final da Taça Brasil, numa melhor de três, contra o Santos. A primeira,em plena Vila Belmiro,o Bahia surpreendeu o Santos ao vencer por 3x2. No segundo confronto na Fonte Nova perdeu por 2x0. Mas venceu a partida decisiva em campo neutro, e sagrou-se o primeiro campeão da Taça Brasil, derrotando o time de Pelé por 3x1 na final no Maracanã. Leó, que havia marcado gols em todas as partidas, fez um golaço na decisiva e consagrou-se artilheiro do campeonato. No final do jogo, Osório Vilas-Boas foi parabenizá-lo, mas não conseguiu pronunciar nem uma palavra. As lágrimas falaram por ele.
Mas Leo, além de ser o primeiro artilheiro do Brasil, teve vários outros títulos conquistados. Entrou e colocou a Bahia numa das páginas de maior destaque do nosso futebol. Auditor Fiscal aposentado, pai de 16 filhos, resultado de 14 casamentos, Leo atualmente mora na Ponta da Tulha, em Ilhéus, onde ainda aprecia a boemia e recorda com felicidade a duradoura fase áurea da sua carreira.

Das suas histórias envolvendo mulheres e bebidas, uma aconteceu no Fluminense do Rio. O time estava concentrado num hotel para o clássico contra o Vasco no dia seguinte. Ele não resistiu a um convite e fugiu para uma festa numa boate. De madrugada, apareceu o técnico Zezé Moreira e o levou para o hotel. Lá, às quatro da manhã, ouviu a sentença: “Enquanto eu estiver aqui, você não veste mais a camisa do Fluminense. Mas não vou dizer pra ninguém, por que lhe tirei do time”. Porém, um incidente levou o técnico a mudar os planos: um jogador se machucou e Leo foi convocado. Entrou, fez dois gols e o Fluminense venceu por 5X2.

NOTA DE PESAR


Faleceu na quarta-feira, 24, em sua residência no Bairro Mangabinha, o desportista itabunense Adonias Bomfim de Oliveira, que já estava com problemas em sua saúde. Adonias por quase 50 anos comandou a secretaria da Liga Itabunense de Futebol - LIF, fazendo um excelente trabalho. 
Na secretaria da LIF, Adonias ficou responsável pela parte de estatística do Campeonato Amador de Itabuna e do Campeonato de Base, como: classificação geral, números de jogos realizados, quantidade de gols marcados, cartões recebidos pelos atletas, elaboração de convites para as equipes participantes, entrega de súmula para a arbitragem, distribuição de gandulas durante os jogos das competições e diversos afazeres dentro de sua função.
Desde 1969 fazendo parte da secretaria da LIF – Liga Itabunense de Futebol, Adonias Bonfim de Oliveira, conheceu vários presidentes e interventores com quem teve o prazer de trabalhar e numa seqüência de dezenove nomes ele cita, Osvaldo Benevides (com quem começou), Nilton “De Aço”, Vanderley Machado, David Marinho, Orlando Lemos, Wilson Santos, Valteon Bernanrdes, Pedro Ivo Barcelar (interventor), Manoel Leal (interventor), Acrisio Dantas (interventor), Cosme Antônio Pereira Ivo, José Inácio Damasceno, Rosalvo Santos, Silvio Roberto (Bob), Dr. Mirson Alberto, Joel Alves, Genildo Barros (Maradona), Roberto Carlos (Deco) e por fim, Élson Ramos.

Nos tempos do campo da velha Desportiva Itabunense, Adonias mantinha uma equipe de futebol de base, que tinha o nome e as cores do seu time de coração: Fluminense, que revelou grandes atletas para o futebol profissional, entre eles Paulinho Alagoinhas e Sandro.