sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

CARTA DO LEITOR

PAPO DE BOLA, SUA FOLHA SEMANAL DE ESPORTES ON-LINE

Olá Juca: Minha alegria é imensa em poder manter esse contato com você. Inicialmente quero parabenliza-lo pelo bom gosto do jornal Papo de Bola, bem como pela brilhante idéia da coluna Resgate da Memória. Sua iniciativa é digna de todos os aplausos, pois só quem teve a felicidade de vivenciar (como eu) a década de 60 (finais de 57 até o final de 66), sabe avaliar o que representou para a história de Itabuna a conquista do hexa campeonato de forma ininterrupta. Diariamente navego em busca de notícias de minha inesquecível Itabuna, leio os jornais on line, o Agora, a Região e tudo que é blog relacionado ao sul da Bahia. Apesar dos longos anos que me separam da terra grapiuna (42 anos), jamais esquecí os momentos de alegria e de felicidade que vivi durante o tempo em que residi nessa acolhedora cidade (de 1959 a 1967), época auréa do cacau e das conquistas inéditas do escrete grapiuna. Ao chegar a Itabuna, fui logo torcendo pelo Janízaros, em razão de em seu time jogar um certo sergipano (centro avante) de nome Florizel e que fazia gols como ninguém. Jogava também no Janízaros um volante baixinho de apelido Aranha, cuja categoria era incomparável. Considerando que minha residência ficava nas imediações do Jardim do "Ó" e da Desportiva Itabunense (morava na rua Zildolina), assim que os portões eram abertos ou acendiam-se os refletores, lá estava eu. Comecei jogando no Colo Colo da Escolinha do Dr Demostenes (a populaçao itabunense devia reverencia-lo), ao lado de Luis Paraguai (goleiro), Regis (lateral direito), Zezito (central), Vilson (volante), Dias (centro médio), Português (lateral esquerdo), e tantos outros. Em outro time (nosso maior adversário) a Seleção da Escolinha Grapiuna, jogavam o Déri, o Bel, o Beg, o Maneca do Carmo, etc., etc. Que pena que nos dias atuais já não existam homens do quilate do Dr. Demostenes, que tinha um coração enorme e que foi responsável pela formação do caráter dos alunos da Escolinha de Futebol e que hoje repercute de forma altamente positiva na vida de cada um de nós. Me considero inserido nesse contexto, pois fiquei órfão de pai aos 16 anos de idade e graças aos conselhos e ensinamentos desse grande homem, encarei a situação com coragem e acima de tudo com dignidade e se hoje exerço aos 59 anos de idade o meu quarto mandato consecutivo de vereador em minha cidade natal (Aquidabã-SE), não tenho dúvidas de que os conselhos e ensinamentos quase que paternais daquele dentista querido, foram fundamentais para a formação do meu caráter. Deus o abençoe. Naquela época, os dirigentes, os jogadores a imprensa, faziam do futebol a maior forma de intercâmbio entre os diversos municípios, além de concentrar a atenção dos jovens para a prática do esporte, despertando na juventude a admiração por seus ídolos (Fernando Riella, Santinho, Luis Carlos, Florizel, Zé Reis, etc.), fato esse que nos mantinha distantes e desinteressados do mundo dos vícios (as drogas) que hoje contaminam e destroem prematuramente nossa juventude. Eles eram o bom exemplo a ser seguido. Então como esquecer o Dr Demostenes, o Dantinhas, o Seu Ribeiro (técnico do Janízaros), o Gil Neres (técnico do escrete de ouro), o Iedo Nogueira e o Edson Almeida (comentaristas), o Ramiro Aquino (repórter), o vibrante Orlando Cardoso (narrador) e muitos outros que se dedicavam ao futebol de forma apaixonada e extremamente amadora, desprovidos de qualquer interesse pessoal e financeiro e que tinham como grande objetivo proporcionar aos itabunenses momentos de alegria e felicidade (as opções de lazer eram poucas) e acima de tudo difundir o nome de Itabuna além fronteiras. Infelizmente, as autoridades de hoje já não pensam mais assim. O altruísmo foi jogado na lata do lixo, e prá minha tristeza no intermunicipal de 2008, tivemos a não participação da seleção Itabunense. Como explicar tamanha falta de compromisso do Poder Público, que até agora siquer nomeou seu Secretário de Esportes. Veja só a diferença: Na época de ouro, o prefeito Alcantara, acompanhava a seleção, não para cabalar votos, mas com o intuito de incentivar nossos craques e torcer pela seleção de Ouro. Como teremos um dia um time profissional forte, em condições de disputar títulos contra os grandes da Bahia, se não cuidamos das categorias de base, se não temos mais um campeonato amador forte, e uma seleção amadora a altura das nossas tradições? E o campo de futebol amador? Passado o período eleitoral, ele sai ou não do papel? Você e os demais abnegados estão de parabens por encabeçarem essa luta. Gostaria imensamente de poder ajuda-los nessa dificil batalha. Depois que Itabuna e Ilheus (nossa eterna freguesa), abandonaram suas tradições no futebol, eis que surje uma inexpressiva Conceição do Coité e se torna Tetra Campeã (de forma consecutiva), com grandes possibilidades de alcançar o feito inédito conseguido por Itabuna. É uma pena que os itabunenses ainda não tenham acordado para essa nova realidade, e se some a você, ao Marcos Soares, que solitariamente procuram resgatar a importância que as memoráveis conquistas tiveram para a história e para o desenvolvimento grapiuna. Mas não esmoreçam, continuem lutando, e um dia quem sabe, encontrem aliados, do nível do Dr Demostenes, do Dantinhas, e finalmente o verdadeiro resgate seja concretizado. Para encerrar dirijo uma pergunta (Enquete) aos mais velhos: Em sua opinião qual foi a melhor seleção? 1) Plinio, Humberto, Piaba, Abiezer e Albérico, Aranha, Tombinho e Santinho, Zé Reis, Florizel e Fernando Riella 2) Luis Carlos , Zé Davi, Ronaldo, Itajay e Leto, Valdemir Chicão, Tombinho e Pinga, Magoa o Sombreiro, Zé Reis e Fernando Riella. Lembro que Santinho e Fernando Riella foram ao meu ver os dois melhores jogadores daquela fase. Agora pergunto: o que fazer para escalar jogadores fora de série que supostamente estariam fora desses dois super times. E o Betinho (goleiro do meu Janízaros). E o Almir (centro médio do Fluminense). E o Regis (lateral esquerdo Irmão do Pinga, também do meu Janizaros). E o Bel (volante extremamente clássico do Fluminense). E o Déri (meio campista do Janizaros, maior revelação da Escolinha). E o Carlos Riella (armador do Fluminense, com características idênticas ao Ademir da Guia). E o Carlos Alberto (volante do Flamengo). E o Maneca (armador do Flamengo). E o Lua Riella (volante do Flamengo). E o Barros (ponta de lança do Flamengo). E o Jonga (ponta direita do Fluminense). E o Carlos Henrique (ponta direita do Flamengo). E o Caçote (também ponta direita do Flamengo). E o Gajé (cento avante goleador do Flamengo). E o Marinho (centro avante do Janízaros). E o Nando (centro avante clássico e goleador do pequeno Corinthians). E o Jurandir (ponta esquerda do Flamengo). Repito, o que fazer com todos esses fabulosos jagadores? Como escala-los? Seria uma tarefa muito dificil, no entanto muito agradável: craques em excesso, o que não acontece nos dias de hoje.Agora definitavamente encerrarei esse verdadeiro jornal. Espero que você não tenha se aborrecido com minhas divagações e meu saudosismo exagerado, é que quando falo sobre aquele importante periodo de minha vida e consequentemente da vida Itabunense, perco a noção do tempo e sem perceber me transporto para o velho campo da Desportiva e me vejo assistindo àqueles memoráveis clássicos: Janizaros x Flamengo, Janizaros x Fluminense ou a um inesquecível Fla x Flu. Jamais esquecí as cores da camisa do Grêmio (vermelho e verde), do Itabuna (amarelo e preto) e as tradicionais do Bahia, Botafogo e Corinthians. Como esquecer o azul claro, quase esbranquecido da camisa da Seleção Itabunense? não me canso de enaltecer as virtudes daqueles eternos ídolos. Eles faziam da bola um simples brinquedo e bailavam naquele irregular gramado, com a leveza de verdadeiros bailarinos como se estivessem nos palcos dos melhores teatros do país. Sugestão: Porque não insere na Coluna Resgate da Memória, entrevistas com esses artistas. Aposto que teria uma grande repercussão e aceitação do seu público leitor (entre os quais estou inserido). Vindo a Sergipe, terei o maior prazer em recebe-lo. Um grande abraço, Fernando Macêdo Itabunense por convicção